terça-feira, 19 de julho de 2016

A Estação Espacial ganhou um dispositivo que pode ajudar a descobrir vida alienígena




A Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) ganhou uma ferramenta incrível: um sequenciador de DNA portátil. Os cientistas esperam que ele possa ajudar na busca pela vida no espaço e querem compreender porque estão nascendo fungos nas paredes da estação.

O sequenciador biomolecular, batizado de MinION, será enviado para a ISS na segunda-feira. O astronauta Kate Rubins irá usá-lo para tentar realizar o primeiro sequenciamento de DNA no espaço. Conversamos com os cientistas da NASA — Camille Alleyne, Aaron Burton e Sarah Wallace — que estão por trás do projeto para descobrir o que mais o dispositivo pode fazer, tanto agora quanto no futuro.


O sequenciador biomolecular. Imagem: Oxford Nanopore Technologies via NASA

A ISS é um ensopado de micróbios. Novos astronautas são enviados constantemente e é normal que eles levem diversos microrganismos. Uma das tarefas que os cientistas esperam que o sequenciador realize é investigar o que exatamente flutua pela estação. Até agora, a única maneira de descobrir isso é com um tradicional teste de cultura numa placa de Petri. O novo dispositivo, no entanto, é capaz de fazer análises do ar e da água quase que imediatamente.

“Toda a água [da ISS] é reciclada da urina, suor, etc” contou Sarah Wallace ao Gizmodo. Ela é microbiologista e gerente do projeto. “A água está sendo processada num local limpo de micróbios? Queremos saber em tempo real se o processador de água está funcionando.”

Monitorar a qualidade do ar e da água já é um grande passo. Mas algumas outras questões podem ser respondidas com o sequenciador. Por exemplo, o que são os fungos que os astronautas encontram nas paredes da Estação.

“No passado tivemos fungos visíveis crescendo na ISS e queremos saber que tipo de fungo é esse” disse Wallace. “É benigno ou algo com que devemos nos preocupar? Sabendo o que é, os microbiologistas podem recomendar o que deve ser feito a respeito deles.”


Um estranho fungo que apareceu na ISS. Imagem: NASA

O sequenciador poderia responder também algumas questões sobre o impacto a longo prazo de se viver no espaço, ou até mesmo ser usado para diagnosticar doenças nos astronautas, já que eles tendem a ficar cada vez mais tempo nas missões.

Mas uma das aplicações mais animadoras do dispositivo só poderá ser vista futuramente, quando ele deixar a ISS e puder explorar o espaço. Os pesquisadores esperam um dia usá-lo para identificar vida — praticamente em tempo real — em outros planetas, inclusive em Marte.

“Por várias razões o sequenciador é bom para a microbiologia — ele é pequeno, leve e bem robusto — é um bom equipamento para mandarmos para outros locais em nosso sistema solar” disse ao Gizmodo Aaron Burton, astrobiólogo e líder do projeto. “Então se você quisesse ir para Marte e ver se há vida, você teria um pequeno dispositivo que poderia levar consigo e então começar a procurar.”

É claro que a vida pode ter múltiplas formas. O sequenciador ajudaria a identificar quais tipos de vida estamos levando conosco ou com robôs para o espaço. Mas outra possibilidade animadora seria encontrar vida nativa em outros planetas. Os pesquisadores já estão procurando saber como o sequenciador poderia ser modificado para lidar com vida alienígena — por exemplo, vidas que sequer tenham um DNA.

“Você não precisa sequenciar DNA, ele poderia se relacionar com moléculas”, disse Burton. “RNA é o que a gente tem na Terra, mas você também pode pensar em ter diferentes açúcares com diferentes bases nucleotídicas. Você poderia procurar por uma gama de informações diferentes a partir das moléculas e algumas pessoas já estão pesquisando sobre o sequenciamento de proteínas a partir do dispositivo, também.”

Mesmo que algumas dessas aplicações estejam num futuro distante e fisicamente longe do nosso planeta, os resultados das pesquisas dos astronautas poderia ter impacto por aqui. A ISS também funciona como um modelo, para aprendermos a conduzir operações em zonas remotas da Terra. Ter um sequenciador no espaço também abre possibilidades em laboratórios, com estudos que poderiam nos ajudar no entendimento dos genes e compreender como eles funcionam.

“Também existem benefícios para a Terra” conta Camille Alleyne, cientista associada ao ISS. “Entender, por exemplo, como ocorre a expressão genética na salmonela, poderia levar ao desenvolvimento de uma vacina. Existem aplicações no espaço, mas benefícios nas nossas vidas também.”

Mas por enquanto, o primeiro projeto do sequenciador servirá para ver se ele consegue ter uma boa performance no espaço. Se os resultados forem positivos, teremos grandes avanços.

FONTE: GIZMODO BRASIL


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