quarta-feira, 27 de julho de 2016

Alguma coisa estranha está fazendo as crateras do planeta anão Ceres desaparecerem




Ceres, o pequeno mundo localizado em um cinturão de asteroides que estamos conhecendo e amando com ajuda da missão Dawn da NASA, parece estar cheio dos mistérios, desde pontos brilhantes que piscam a mares inesperados. Agora astrônomos descobriram algo ainda mais misteriosos ao examinar imagens da superfície de Ceres. Alguma coisa está apagando as crateras do planeta.

Crateras oferecem uma janela para estudarmos a história de um planeta, e é por isso que elas estão entre as primeiras coisas que astrônomos examinam quando tentam entender um novo objeto. Por exemplo, um dos choques imediatos do voo da New Horizons por Plutão foi que a superfície do planeta praticamente não possui crateras, o que indica uma atividade geológica interior.

Com base na aparência fortemente maltratada dos outros objetos do cinturão de asteroides, os astrônomos esperavam que nossa primeira vista de perto de Ceres renderia várias crateras enormes. Em vez disso, eles não encontraram nenhuma.

Quando Simone Marchi, do Southwest Research Institute, e seus colegas analisaram os conjuntos de dados de imagem global e topografia coletados pela nave Dawn durante o ano passado, eles descobriram que a maioria das crateras de Ceres tem menos de 100 km de largura. Isso apesar do fato do planeta vizinho Vesta, que recebeu uma visita da Dawn antes, ter crateras com até 500 km de largura.


A topografia de Ceres, com diversas crateras profundas, mas nenhuma particularmente grande. Imagem: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA

“Foi uma grande surpresa”, disse Marchi, que comandou uma análise publicada na Nature Communications, ao Gizmodo. Considerando o tamanho e os 4,5 bilhões de anos de história de Ceres, “é extremamente improvável que Ceres não tenha sido atingido por grandes objetos,” disse Marchi.

Isso significa que alguma coisa está acabando com as crateras de Ceres com o passar do tempo. E os astrônomos já têm algumas hipóteses do que pode ser.

A primeira hipótese é de que a estrutura interna de Ceres é a responsável por isso. Outros trabalhos recentes, incluindo algumas análises detalhadas dos pontos brilhantes do planeta anão, apontam para uma camada de gelo e sal logo abaixo da superfície. Ao longo do tempo, o fluxo desse manto pode ter achatado a topografia adjacente, em um processo conhecido como “relaxamento viscoso”. Como o coautor do estudo Michal Bland, do Serviço Geológico dos Estados Unidos, destacou, o relaxamento viscoso achatou as grandes crateras mais rápido do que as pequenas.

Uma hipótese ainda mais intrigante é que as grandes crateras foram apagadas por vulcões de gelo. “Temos esses pontos brilhantes espalhados por toda a superfície – claramente é alguma coisa que veio do interior do planeta,” disse Marchi. É possível que Ceres tenha sido muito mais molhado no passado distante, e que um período antigo de criovulcanismo intenso alterou drasticamente a superfície que vemos hoje.

O conjunto de dados mais recentes da Dawn pode oferecer algumas respostas. A espaçonave atualmente está em órbita de baixa altitude, tirando fotos em alta resolução e medindo a gravidade com detalhes conforme ela gira ao redor de Ceres a cada 5,4 horas. “Com esses dados em alta resolução, podemos observar mais especificamente locais na superfície com evidências de criolava em grande escala,” disse Marchi. E com os dados do campo de gravidade, vamos ter uma imagem mais clara do interior de Ceres, incluindo sua estrutura de camadas e qualquer anomalia subsuperficial.

Para Bland, o mistério das crateras desaparecidas de Ceres destaca a importância de projetar missões que visitem múltiplos lugares. “Por causa da exploração da Dawn em Vesta, agora temos uma boa ideia de quantas crateras deveríamos ver em Ceres,” explicou ao Gizmodo. “Isso é, Vesta forneceu um conjunto de dados fundamental para calibrar nossos modelos da produção de cratera em Ceres.”

“Ceres é diferente de qualquer outro objeto de cinturão de asteroides que conseguimos ver através de meteoritos,” disse Marchi. “Não tenho dúvidas de que há uma grande história a ser contada por aqui.”

Imagem de topo: uma vista de uma cratera de impacto chamada Kerwan em Ceres. As cores indicam a elevação; regiões azul são baixas e as vermelhas são altas. Via Image: Southwest Research Institute

FONTE: GIZMODO BRASIL


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