quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Uma estrela zumbi acabou de entrar em uma fase termonuclear




Em 2009, uma estrela binária que estava queimando há anos explodiu de repente, depois de ficar milhões de vezes mais brilhante em pouco tempo. Agora, depois de estudar o antes e o depois do evento extraordinário, uma equipe de astrônomos poloneses descreveu o que aconteceu em um novo artigo científico. Basicamente, uma estrela zumbi se carregou e virou termonuclear – e isso pode acontecer novamente.

O sistema estelar em questão – V1213 Cen, localizado a 23.000 anos luz no braço de Scutum-Centaurus na Via Láctea – consiste em dois companheiros bem próximos, uma pequena estrela anã vermelha e um núcleo estelar morto conhecido como anã branca. É uma relação parasitária na qual a estrela morte se alimenta lentamente da estrela viva, desviando matéria para longe e, ocasionalmente, queima em explosões estelares conhecidas como nova anã.

Em sistemas binários como esse, em algum momento a estrela morta vai agregar hidrogênio fresco e hélio suficiente para gerar temperaturas e pressões extraordinárias, iniciando assim reações de fusão termonuclear. Quantidades imensas de matéria e energia são liberadas, iluminando o céu em uma breve porém brilhante nova clássica. E foi exatamente isso o que nossos telescópios observaram na V1213 Can em 2009.

Astrônomos conhecem a nova clássica há séculos, mas devido à natureza transitória dessas explosões, elas se mostraram bem difíceis de serem estudadas. Com a V1213 foi diferente. Graças ao Optical Gravitational Lensing Experiment da Universidade de Varsóvia – um estudo de longo prazo de matéria negra que observa bilhões de estrelas no bojo galático – o astrônomo Przemek Mroz conseguiu coletar dados contínuos da V1213 Cen nos seis anos anteriores e seguintes a 2009, criando um dos registros mais completos que temos.


Imagens do ciclo de vida da nova V1213 (topo), e a posição da estrela vista do telescópio de Varsóvia (baixo). Crédito: J. Skowron, K. Ulaczyk/Observatório da Universidade de Varsóvia

As descobertas, publicadas na Nature, dão informações importantes sobre como essas novas clássicas evoluem com o passar do tempo; dando força a um modelo proposto porém não testado conhecido como “hipótese da hibernação.”

De acordo com essa hipótese, depois da erupção de uma nova clássica, a taxa de transferência de massa entre duas estrelas é elevada por séculos. O sistema permanece brilhante como era antes da explosão. E então, com o passar de milhares ou milhões de anos, a alimentação frenética dá uma parada e a anã branca entra em uma “fase de hibernação.” Essa estrela desperta depois de um tempo e devora novamente a sua companheira, reiniciando o ciclo.

“Isso é algo que todo pesquisador no campo de estrelas binárias imaginava que acontecia, mas a probabilidade de observarmos isso acontecer era considerada baixa,” disse Mroz ao Gizmodo. “Acreditamos que nossos dados dão apoio a essa teoria.”

Mroz também disse que a V1213 Cen está apagando lentamente de acordo com a teoria da hibernação. Ao continuar estudando as dinâmicas do sistema nos próximos anos, Mroz espera conseguir solucionar mais mistérios sobre como essas estrelas binárias evoluem e se autodestroem com o passar do tempo.

Imagem de topo: J. Skowron, K. Ulaczyk/Observatório da Universidade de Varsóvia

FONTE: GIZMODO BRASIL


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