quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Erro de software pode ter causado a queda da sonda da ExoMars em Marte



Pesquisadores da missão ExoMars estão apontando para uma potencial falha de software como a causa do acidente da sonda Schiaparelli na semana passada. O desafio agora é isolar e corrigir o erro na esperança de evitar sua repetição em 2020, quando os cientistas planejam enviar uma sonda muito maior para o planeta vermelho.

No fim da semana passada, a NASA liberou uma fotografia mostrando o que parece ser o local da queda da sonda Schiaparelli e seu paraquedas descartado. A sonda, se havia alguma dúvida em relação a isso, estava totalmente fritada, virou uma mancha de metal queimado e torcido na superfície marciana. Então em vez de orgulhosamente projetar uma nova sonda, os cientistas da ExoMars, em parceria com as agências espaciais russa e europeia, vão tentar descobrir o que saiu errado.



Diferentemente da missão Beagle 2 perdida em 2003, a Schiaparelli transmitiu seus dados de status para sua nave-mãe – a Trace Gas Orbiter – durante sua descida. Como disse a Nature News, uma observação inicial nos dados aponta para uma série de erros de software como motivo do pouso fracassado.

Ao que tudo indica, a descida começou bem, com a sonda desacelerando rapidamente conforme se infiltrava na atmosfera marciana, e até mesmo abrindo o paraquedas como o planejado. Mas as coisas começaram a dar errado antes da marca de cinco minutos da descida planejada de seis minutos.

Por motivos ainda não explicados, a sonda ejetou tanto o escudo de calor quanto o paraquedas antes da hora. A Schiaparelli então ativou os propulsores por um período breve de três segundos – um procedimento que deveria demorar 30 segundos assim que ela estivesse a alguns metros do chão. O computador de bordo da sonda, pelo jeito, parece ter pensado que estava perto da superfície. De fato, a Schiaparelli até achou tempo para ligar alguns dos seus instrumentos, incluindo ferramentas para registrar o clima e o campo elétrico do planeta.

A triste realidade é que a Schiaparelli estava entre 2 e 4 quilômetros acima da superfície quando isso aconteceu, caindo a uma velocidade de cerca de 300 km/h. Ela atingiu o chão com uma força extrema, resultando em uma explosão – e uma nova marca na superfície marciana.

O chefe das missões solares e planetárias da ESA, Andrea Accomazzo, suspeita de uma falha no software da Schiaparelli, ou um problema na integração dos dados vindos de diferentes sensores. Algum tipo de erro fez a sonda errar a sua posição no tempo e espaço, resultando no início dos procedimentos de pouso como se ela estivesse a uma altitude muito mais baixa.

Se confirmado, essa pode ser de certa forma uma boa notícia, já que falhas de software são mais fáceis de se corrigir do que problemas de hardware. Os pesquisadores da ExoMars estão confiantes da integridade do hardware da Schiaparelli, e eles agora pretendem replicar o erro de software usando uma simulação.

Se e quando a falha for detectada, uma correção vai precisar ser projetada, implementada e testada. Os cientistas da ExoMars não têm muito tempo para isso, já que a segunda e mais importante parte da missão está prevista para 2020. Essa primeira fase foi feita com intuito de ser um teste – uma espécie de preparação para a chegada de uma sonda ainda maior. Vamos torcer para que a história não se repita daqui a quatro anos.

[Nature News]

Imagem de topo via ESA/ATG Medialab

FONTE: GIZMODO BRASIL


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