sábado, 19 de novembro de 2016

"Código de barras" de galáxia distante confirma constância da Natureza



Astrônomos observaram a luz de um quasar 8,5 bilhões de anos depois de passar por galáxias distantes.
Crédito: James Josephides e Michael Murphy

Astrônomos mediram com precisão uma força fundamental da Natureza numa galáxia vista 8 bilhões de anos para o passado.

Investigadores da Universidade de Tecnologia de Swinburne e da Universidade de Cambridge confirmaram que o eletromagnetismo numa galáxia distante tem a mesma força que cá na Terra.

Observaram um quasar - um buraco negro supermassivo com um ambiente muito brilhante - localizado por trás da galáxia. Na sua viagem para a Terra, parte da luz do quasar foi absorvida por gás na galáxia há oito mil milhões de anos atrás, lançando sombras em cores muito específicas.

"O padrão de cores diz-nos quão forte é o eletromagnetismo nesta galáxia e, dado que o quasar é um dos mais brilhantes conhecidos, fomos capazes de fazer a medição mais precisa até agora," afirma o autor principal do estudo, o candidato a doutoramento de Swinburne, Srdan Kotuš.

"Descobrimos que o eletromagnetismo nesta galáxia é o mesmo que aqui na Terra, até uma parte por milhão - cerca da largura de um cabelo humano em comparação com um estádio desportivo."

O eletromagnetismo é uma das quatro forças fundamentais conhecidas da Natureza.

"O eletromagnetismo determina quase tudo sobre o nosso mundo quotidiano, como a luz que recebemos do Sol, como vemos essa luz, como o som viaja através do ar, o tamanho dos átomos e como interagem," comenta Michael Murphy, coautor do novo trabalho e professor na mesma instituição de ensino.

"Mas ninguém sabe porque é que o eletromagnetismo tem a força que tem e se deve ser constante, ou variar, e porquê."

A maioria das tentativas anteriores de medir o eletromagnetismo foram limitadas por instrumentos chamados espectrógrafos - as "réguas de luz" usadas para medir o padrão de sombras no arco-íris de cores do quasar. Os investigadores usaram espectrógrafos no VLT (Very Large Telescope) e no telescópio de 3,6 m do ESO no Chile para fazer as suas observações.

"O espectrógrafo do VLT é um pouco impreciso: é uma régua de alta-qualidade para medir a luz, mas os números dessa régua estão um pouco desalinhados. Então, para fazermos a melhor medição, também usámos o espectrógrafo do telescópio de 3,6 m a fim de fornecer números muito precisos," comenta Kotuš.

"Para mim, a descoberta de que o eletromagnetismo é constante durante mais de metade da idade do Universo só aprofunda o mistério - por que é assim? Nós ainda não sabemos," comenta Murphy.

"É incrível que as galáxias distantes forneçam uma ponta de prova tão precisa para uma pergunta tão fundamental. Com a construção em curso de telescópios ainda maiores, seremos capazes de a testar ainda melhor no futuro próximo."

FONTE: http://www.ccvalg.pt/


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