sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Nós finalmente sabemos o peso imenso de nossa pegada ecológica na Terra




Deveria ser óbvio para todo mundo que a este ponto os humanos exercem um enorme impacto no planeta. Mas quanto, exatamente, é o peso de nossa pegada ecológica (quantidade de recursos necessárias para vivermos)? Pode parecer esquisito, mas um novo paper oferece uma resposta para esta questão: impressionantes 30 trilhões de toneladas.

Um estudo publicado na Anthropocene Review decidiu estimar o peso da tecnosfera da Terra — basicamente, todas as estruturas que as pessoas já construíram, modificaram ou arruinaram para poder viver em nosso planeta. Como definido pelo paper, a tecnosfera inclui tudo: de fábricas a smartphones passando pela terra que cultivamos. Ah, e também a montanha de lixo que nós criamos.

“[A tecnosfera] inclui ativos urbanos, agrícolas e marítimos usados para sustentar o fluxo de energia, materiais necessários para a vida humana e uma camada crescente de resíduos”, escrevem os autores.

Um novo tempo geológico?
A massa de tecnosfera foi estimada ao juntar informações de área, espessura, densidade de cidades, estradas, terras de cultivo e outras paisagens modificadas pelo humano. Isso pode também servir como evidência de que humanos estão levando o planeta para um novo tempo geológico, que está sendo chamado de “Antropoceno”. De fato, parece que este é o ponto do estudo, cujos autores incluem Jan Zalasiewicz, presidente do Anthropocene Working Group, um comitê encarregado de determinar os efeitos do homem em nosso período corrente.

Como Zalasiewicz explicou ao Gizmodo no início deste ano, para os geólogos se convencerem que nós entramos na era Antropocena, eles devem ter evidências de que as pegadas ecológicas da humanidade vão durar pelas próximas eras. E como todos os geólogos sabem, uma das evidências mais importantes para uma mudança planetária é o registro de fóssil.

Baseado no tamanho completo da tecnosfera — 30 trilhões de toneladas equivalem a cerca de 50 kg de lixo produzido por humanos por metro quadrado — e no fato de que muitas estruturas artificiais não se decompõem, nós agora temos um novo critério para entender quão profundamente diferente o registro de fóssil da modernidade será comparado com o passado.

Considerando que a explosão Cambriana apresentou uma rápida explosão de novas formas de vida, camadas de rocha que compreendem o Antropoceno podem mostrar uma insurgência dos chamados “tecno-fósseis”, de bolsas de plástico a conversores catalíticos. De fato, os autores escrevem que se os tecno-fósseis forem classificados da mesma foram que os fósseis convencionais — baseados no formato e textura — haverá provavelmente um milhão ou mais de tipos, superando amplamente o número de espécies vivas atualmente.

“Há muito mais coisas na tecnosfera que apenas massa”, diz Colin Waters, um dos autores do estudo, em um comunicado. “Ela permitiu a produção de um enorme arranjo de objetos materiais…muitos desses, se enterrados em estratos, podem ser preservados para um futuro geológico distante.”

Zalasiewicz reconhece que nós ainda estamos a alguns anos de adotar formalmente o termo Antropoceno como uma unidade de tempo geológica. E sempre há chance de forças científicas escolherem rejeitar o termo. No entanto, embora ainda exista um debate acadêmico, a verdade inescapável é que, para o bem ou para o mal, os humanos alteraram fundamentalmente a Terra como nenhuma espécie o fez.

[The Anthropocene Review]

Imagem do topo por Universidade de Leicester

FONTE: GIZMODO BRASIL


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