quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Nossa próxima visita a Saturno vai ser para buscar vida alienígena




Conforme a nave espacial Cassini executa suas manobras finais, cientistas dos dois lados do Atlântico já pensão na próxima missão para Saturno. Mas agora ninguém fala em estudar o gigante gasoso em si. Os cientistas já falam em caçar vida nos anéis de Saturno.

Duas luas saturnianas – Titã, um mundo de mares de metano frígidos, e Encélado, uma bola de gelo que embrulha um oceano de água líquida – estão na nossa lista de lugares do sistema solar em que a vida alienígena pode existir. E cientistas estão determinados a descobrir se existe. Isso ficou bem claro na conferência da União Americana de Geofísica da semana passada, quando pesquisadores dos EUA e da Europa apresentaram propostas para duas futuras naves especiais que podem determinar se as luas estranhas de Saturno são habitáveis.

Pelo lado dos EUA, temos o Enceladus Life Finder (ELF), uma nave New Frontiers da NASA cuja missão é de buscar vida em Encélado. O plano de voo da ELF é simples: dez passagens de baixa altitude (50 km) pelo polo sul de Encélado, onde rachaduras da superfície fria do planeta cospem um oceano de água congelada para o espaço.

Ao mergulhar pelos gêiseres do polo sul de Encélado, a ELF pode coletar amostras da água líquida da lua como a Cassini já fez, mas dessa vez com instrumentos mais avançados. Dois espectrômetros de alta tecnologia ajudariam na busca por indicadores chave de habitabilidade, incluindo gás hidrogênio (uma fonte de energia). A nave espacial também vai buscar por vida diretamente ao analisar aminoácidos e isótopos de carbono, que ocorrem em padrões específicos na presença de micro-organismos.


A estrutura do interior de Encélado. Imagem: NASA/JPL

“A maior esperança para a ELF é caracterizar completamente a habitabilidade do oceano de Encélado,” disse a cientista do projeto Cassini e uma das propositoras do ELF Linda Spilker. “Eu gostaria de saber se o oceano de Encélado consegue suportar vida, e melhor do que isso, quero achar evidências de vida.”

O oceano subsuperficial de Encélado é um dos ambientes mais parecidos com a Terra que sabemos que existe. Mas também é possível que uma forma diferente de biologia, muito mais estranha, possa ter surgido nos mares de metano de Titã. Então por que só caçar a vida como conhecemos quando podemos visitar as duas luas na mesma viagem?

A Explorer of Enceladus e Titan (E2T), uma missão proposta pela Agência Espacial Europeia, planeja observar exatamente isso. De forma parecida com a ELF, a E2T vai voar ao redor do polo sul de Encélado (só que seis vezes), a altitudes de 50 km a 150 km, e vai usar dos espectrômetros de massa para analisar as águas do mar por sinais de vida. A E2T também vai ser equipada com uma câmera espacial capaz de capturar imagens em alta resolução, coisa de até um metro por pixel.

A E2T também vai visitar Titã, coletando e analisando amostras do ar durante 17 passagens pela atmosfera do satélite a altitudes entre 900 km e 1500 km. Já sabemos que há algum tipo de “química pré-biótica” – reações orgânicas que podem levar à formação de RNA e proteínas – nos céus de Titã. Com a E2T, vamos ver quão próximo essa química já chegou na criação dos blocos de construção da vida.


Um modelo hipotético de um organismo celular baseado em metano vivendo nos oceanos de Titã. Imagem: James Stevenson.

A missão também vai capturar imagens detalhadas da superfície de Titã, que conta com rios parecidos com os da Terra e cânions com hidrocarbonos líquidos em vez de água.

Giuseppe Mitri, do projeto E2T, acredita que o momento é bom para uma missão astrobiológica dedicada no sistema solar exterior. “Há uma grande quantidade de interesse na comunidade atualmente,” ele disse, destacando que a nova missão da ESA para Marte, a ExoMars, também está buscando sinais de vida alienígena.

Claro, não há garantia de que nenhuma dessas missões vai ser aprovada, e mesmo que sejam, ainda vai levar muito tempo para elas vasculharem nossos vizinhos cósmicos. A ELF busca verba para um lançamento em 2025, com uma expectativa de chegada em Saturno em 2030, enquanto a E2T não deve deixar nosso planeta antes de 2030. Ambas as propostas precisam de centenas de milhares de dólares para serem realizadas, e ambas competem com diversas outras boas ideias, incluindo missões para pesquisar Vênus, para encontrar um asteroide troiano, e para coletar amostras de rochas do polo sul da Lua.

Ainda assim, se a comunidade astrobiológica é indício de alguma coisa, em algum momento dentro das próximas décadas, vamos voltar a Saturno. E quando fizermos, será para buscar aliens.

Tétis (direita), Titã e Encélado (topo e canto inferior esquerdo) vistos acima e abaixo do plano dos anéis de Saturno. Imagem: NASA/JPL/Space Science Institute, processada por Kevin M. Gill.

FONTE: GIZMODO BRASIL


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