sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

A Lua é mais antiga do que os cientistas pensavam



O astronauta da Apollo 14, Alan Shepard. Um novo estudo determinou a idade da Lua através da análise de minerais trazido para a Terra pela missão de 1971.
Crédito: NASA

Uma equipe liderada pela UCLA (Universidade da Califórnia, em Los Angeles), EUA, relata que a Lua tem pelo menos 4,51 mil milhões de anos e é 40 a 140 milhões de anos mais velha do que os cientistas pensavam anteriormente.

Os resultados - baseados numa análise de minerais da Lua chamados zircões que foram trazidos para a Terra pela missão Apollo 14 em 1971 - foram publicados no dia 11 de janeiro na revista Science Advances.

A idade da Lua tem sido um tema muito debatido, embora os cientistas tenham tentado resolver a questão ao longo de muitos anos e usando uma ampla gama de técnicas científicas.

"Finalmente definimos uma idade mínima para a Lua; já estava na hora de sabermos a sua idade e agora sabemos," comenta Mélanie Barboni, a autora principal do estudo e geoquímica do Departamento de Ciências da Terra, Planetárias e do Espaço da UCLA.

A Lua foi formada por uma violenta colisão frontal entre a Terra primitiva e um "embrião planetário" de nome Theia, relatou a equipe de geoquímicos e colegas da mesma universidade em 2016.

A investigação mais recente significa que a Lua se formou "apenas" cerca de 60 milhões de anos após o nascimento do Sistema Solar - um ponto importante porque fornece informações críticas para os astrônomos e para os cientistas planetários que procuram compreender a evolução inicial da Terra e do nosso Sistema Solar.

Isto tem sido uma tarefa difícil, realça Barboni, porque "o que lá estava antes do impacto gigante foi apagado." Embora os cientistas não possam saber o que ocorreu antes da colisão com Theia, estes achados são importantes porque vão ajudar os cientistas a discernir os grandes eventos que a seguiram.

Geralmente é difícil determinar a idade das rochas lunares porque a maioria delas contém uma miscelânea de fragmentos de várias outras rochas. Mas Barboni foi capaz de analisar oito zircões em estado puro. Especificamente, ela examinou como o urânio que contêm decaiu para o chumbo (num laboratório da Universidade de Princeton) e como o lutécio que contêm decaiu para um elemento chamado háfnio (usando um espectrômetro de massa na UCLA). Os cientistas analisaram esses elementos juntos para determinar a idade da Lua.

"Os zircões são os melhores relógios da Natureza," comenta Kevin McKeegan, professor de geoquímica e cosmoquímica da UCLA, e coautor do estudo. "São o melhor mineral na preservação da história geológica e na revelação da sua origem."

A colisão da Terra com Theia criou uma lua liquefeita que depois solidificou. Os cientistas acreditam que a maior parte da superfície da Lua estava coberta com magma logo após a sua formação. As medições do urânio-chumbo revelam quando os zircões apareceram pela primeira vez no oceano de magma inicial da Lua, que mais tarde arrefeceu e formou o manto e a crosta; as medições de lutécio-háfnio revelam quando o magma se formou, o que aconteceu mais cedo.

"A Mélanie conseguiu descobrir a idade real da Lua, que remonta à sua pré-história antes de solidificar, não à sua solidificação," comenta Edward Young, professor de geoquímica e cosmoquímica da UCLA e coautor do estudo.

Os estudos anteriores determinaram a idade da Lua com base em rochas lunares que haviam sido contaminadas por colisões múltiplas. McKeegan realça que essas rochas indicavam a data de alguns outros eventos, "mas não a idade da Lua."

Os investigadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles continuam a estudar os zircões trazidos pelos astronautas das Apollo e a história inicial da Lua.

A geoquímica Mélanie Barboni, segurando uma rocha lunar.
Crédito: Carolyn Crow

FONTE: http://www.ccvalg.pt/


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