segunda-feira, 15 de maio de 2017

Viagens espaciais de longo prazo causam queda inevitável em nossa condição física



Mais um dia, mais um estudo mostrando o quão horrível a microgravidade é para o corpo humano. Na mais recente pesquisa sobre o tema, cientistas descobriram que a exposição ao espaço a longo prazo inibe o movimento de oxigênio pelo corpo, reduzindo a capacidade de um astronauta de desempenhar tarefas extenuantes.

A nova pesquisa da Kansas State University mostra que a exposição prolongada ao espaço reduz a capacidade de exercício de um astronauta de 30% a 50%. Isso é… muita coisa. Como apontado no estudo, que você pode conferir no Journal of Applied Physiology, isso parece acontecer porque nosso coração e nossos pequenos vasos sanguíneos são muito ruins em transportar oxigênio para músculos funcionais sob condições de microgravidade. O mais desencorajador é que o efeito conta mesmo quando os astronautas tentam manter um alto nível de condição física no espaço, se exercitando em bicicletas ergométricas e correndo em esteiras.

Para o estudo, uma equipe de pesquisa liderada pelo cinesiologista Carl Ade observou dados coletados pela NASA de nove astronautas homens e mulheres que passaram cerca de seis meses a bordo da Estação Espacial Internacional. Antes de embarcar em suas missões, cada astronauta fez vários exames para avaliar sua aptidão física, incluindo absorção de oxigênio, débito cardíaco e concentração e saturação de hemoglobinas (a hemoglobina é a proteína rica em ferro responsável por transportar oxigênio em seu corpo). Essas medidas mostram o quão efetivos o coração e os vasos sanguíneos de uma pessoa são em levar oxigênio para a mitocôndria no tecido muscular — a famosa “reserva de energia” de nossas células.

No espaço, cada astronauta seguiu um regime de treinos aeróbicos e de resistência projetados pela NASA. Exercícios aeróbicos de intensidades moderada e alta em uma bicicleta ou uma esteira foram prescritos de quatro a seis vezes por semana, enquanto o treinamento de resistência para as partes superior e inferior do corpo foi prescrito seis vezes por semana.

Dois dias depois de os astronautas retornarem para a Terra, cada um deles foi submetido à mesma bateria de testes físicos que recebeu antes do lançamento.


Steve Swanson, astronauta da NASA, equipado com um arnês de elástico, faz exercícios na esteira T2, a bordo da Estação Espacial Internacional (Imagem: NASA)

Armado com esses dados de antes e depois, Ade conseguiu mostrar um declínio de 30% a 50% no oxigênio máximo, que é a taxa máxima de oxigênio consumida durante exercícios, e conseguiu fazer uma medição padrão de saúde cardiorrespiratória. Após cerca de 90 dias, o nível de aptidão física dos astronautas voltou acima de 97% do que era antes. Sua incapacidade de recuperar sua capacidade física máxima provavelmente aconteceu devido à função alterada dos pulmões após a exposição prolongada à microgravidade.

“É uma diminuição dramática”, disse Ade, em um comunicado. “Quando sua função cardiovascular diminui, sua capacidade para exercícios aeróbicos cai. Você não consegue mais desempenhar atividades fisicamente desafiadoras. Embora estudos mais antigos sugiram que isso aconteça por causa das mudanças no funcionamento do coração, os nossos dados sugerem que há, sim, algumas coisas acontecendo a nível de coração, mas também a nível de microcirculação dentro dos tubos capilares.

Os pesquisadores suspeitam que a microgravidade esteja mudando a maneira como os tubos capilares de vasos sanguíneos interagem com os glóbulos vermelhos, mas é necessário fazer mais pesquisas para descobrir isso.

Para aspirantes a viajantes do espaço e colonizadores de Marte, essa notícia sem dúvidas é ruim. Significa que os astronautas, após vários meses de exposição à microgravidade, podem esperar uma diminuição bem significativa em sua capacidade de realizar tarefas extenuantes. Uma vez em Marte (ou em outro corpo celeste da sua escolha), um astronauta pode ser menos capaz de, digamos, realizar trabalhos manuais na superfície. Pelo lado positivo, no entanto, essa descoberta alerta cientistas sobre o problema, e agora eles podem começar a buscar uma solução.

“Essa diminuição está relacionada não apenas à saúde, mas à performance também”, disse Ade. “Se pudermos entender por que a absorção máxima de oxigênio está caindo, isso nos permite criar intervenções direcionadas, sejam elas exercícios ou soluções farmacológicas. Essa importante nova informação pode ajudar esses astronautas e prevenir mudanças adversas de desempenho em seu trabalho.”

Agora podemos adicionar a redução da absorção de oxigênio à nossa contínua lista de coisas ruins que acontecem aos nossos corpos quando expostos ao espaço — problemas que vão desde a perda da densidade óssea e da massa muscular até o coração, a visão e problemas nas costas. Adaptar os humanos para a vida além da Terra, como estamos vendo, será difícil.

[Journal of Applied Physiology]

Imagem do topo: The Martian

FONTE: GIZMODO BRAS

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